Apesar de ter superado a barreira de R$ 2 trilhões em dezembro, a Dívida Pública Federal (DPF) encerrou o ano passado com a melhor composição da história. Uma série de trocas de títulos executada pelo Tesouro Nacional ao longo de 2012 reduziu o risco de a dívida pública fugir do controle nos próximos anos, retirando de circulação mais de R$ 100 bilhões de papéis indexados à Selic (taxa básica de juros da economia).
De acordo com o Tesouro, a fatia da dívida
interna em títulos corrigida por taxas flutuantes como a Selic atingiu 22,55%
em dezembro, o menor percentual desde 1997, quando começaram a ser feitas as
medições. Em contrapartida, a proporção dos papéis prefixados (com juros que
não flutuam e são definidos antecipadamente) fechou o ano em 41,18%, no maior
nível da história. Os números levam em conta as compras e vendas de dólares no
mercado futuro pelo Banco Central, que influenciam o resultado final.
Em fevereiro do ano passado, o Tesouro Nacional determinou que os fundos
extramercado, formados por recursos de algumas estatais e pelo Fundo de Amparo
ao Trabalhador (FAT), pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE)
e pelo Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), trocassem R$ 61,2
bilhões em títulos corrigidos pela Selic (taxa básica de juros) por papéis
prefixados e vinculados à inflação.
Em abril, foi a vez de o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS)
substituir mais R$ 44 bilhões em papéis indexados à Selic que estavam em seu
poder, também por títulos prefixados e corrigidos pela inflação. Com essas duas
operações, o Tesouro se livrou de R$ 105,2 bilhões de títulos atrelados à taxa
básica de juros.
Essas operações reduziram o risco da dívida pública, porque os títulos
vinculados à Selic pressionam o endividamento do governo quando os juros sobem.
Caso o Banco Central reajuste os juros básicos, a parte da dívida interna
corrigida pela Selic aumenta imediatamente. A taxa de juros dos papéis
prefixados é definida no momento da emissão e não varia ao longo do tempo.
Dessa forma, o Tesouro sabe exatamente quanto pagará de juros daqui a vários
anos, quando os papéis vencerem e os investidores tiverem de ser reembolsados.
No caso dos títulos corrigidos pela inflação, o Tesouro também prefere esses
papéis porque os índices de preços tendem a acompanhar o crescimento da
economia. Assim, se a inflação subir, o Produto Interno Bruto (PIB) também
aumenta. Isso reduz o risco de a dívida pública explodir na comparação com o
PIB, mesmo que o endividamento do governo em valores nominais tenha ficado
maior. Em dezembro, os papéis indexados pela inflação representaram 35,48% da
dívida interna em títulos do governo.
A melhoria no perfil da dívida pública é mais notável se for levada em conta a
trajetória da composição nos últimos anos. Em dezembro de 2005, os títulos
corrigidos por taxas flutuantes respondiam por 55,44% da dívida interna
federal. Os papéis prefixados representavam 27,86%, e os títulos atrelados à
inflação correspondiam a 15,53%.
Por meio da dívida pública, o Tesouro Nacional emite títulos e pega dinheiro
emprestado dos investidores para honrar compromissos. Em troca, o governo
compromete-se a devolver os recursos com alguma correção, que pode seguir a
taxa Selic, a inflação, o câmbio ou ser prefixada.
Fonte: Agência Brasil
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